Contratem-se mais estrangeiros

30.04.11

“As empresas ganham em ter mais mulheres e várias nacionalidades na administração”, defende o presidente da Amrop.

Os executivos de topo têm motivos para estar satisfeitos. É que a procura destes profissionais está a aumentar. É o presidente da Amrop, Ulrich Dade, quem o diz.

“No geral, pode-se dizer que o mercado mundial de recrutamento de executivos de topo está a atravessar um bom momento”, afirma o responsável desta empresa de recrutamento e seleção de executivos. A exceção é a Europa – o segundo maior mercado regional – que tem estado “menos ativa do que outras regiões do globo”. “A Alemanha está a ter um bom desempenho, mas as empresas continuam a ser muito prudentes no recrutamento”, acrescenta o presidente da Amrop, referindo que, ainda assim, as empresas do sul da Europa, estão mais contidas do que as do Norte.

“Os serviços financeiros, após terem conhecido uma grande quebra no passado recente, a indústria automóvel e o grande consumo são as áreas mais ativas no recrutamento, nomeadamente, a nível de diretores financeiros”, refere Ulrich Dade.

Por outro lado, “está a haver uma falta de talentos de topo na área técnica, porque tem havido um aumento constante na procura de tecnólogos por parte de empresas de engenharia, telecomunicações e indústria automóvel”, afirma. Uma pressão sobre a procura de engenheiros que se deve ao facto de a “base de recrutamento ser menor devido às mudanças demográficas em alguns mercados como a Europa e a Ásia. As empresas vão sentir mais dificuldade em reter os seus quadros superiores na área técnica”, defende Ulrich Dade.

Será que os jovens fogem das profissões mais técnicas? O presidente desta multinacional de recrutamento diz que “depende de país para país”. “Ao contrário da Europa do Sul, na Alemanha e na Escandinávia vemos muito jovens a escolher profissões técnicas. Isto acontece porque há uma cultura de engenharia e há muitas empresas industriais”, acrescenta.

Sobre o nível das remunerações, Ulrich Dade é da opinião  que “o nível salarial dos presidentes executivos e dos diretores financeiros deve estar relacionada com o seu desempenho, mas dentro de um modelo transparente e razoável”.

Mais Mulheres é positivo

“Não ser fluente em inglês é por vezes uma desvantagem para executivos oriundos de alguns países”, admite Ulrich Dade. Mesmo assim, constata haver cada vez mais pessoas de várias nacionalidades (espanhóis, portugueses, italianos, holandeses, etc.) em cargos de topo nas multinacionais. Dá o exemplo da SAP (empresa alemã de software) que tem um americano e um dinamarquês na copresidência, e a HP, que é liderada por um alemão. “Isto é muito bom para as empresas porque permite incluir pessoas de diferentes culturas na organização. Aconselho frequentemente os clientes da Amrop a recrutar mulheres de diferentes nacionalidades”. O mesmo princípio de multiculturalidade também é aplicado à Amrop. “Temos 10 nacionalidades em 11 administradores na casa-mãe”, diz Ulrich Dade. “É um caso único que traz vantagens tremendas. A nossa expansão na Ásia tornou-se mais fácil por termos dois administradores originários deste continente.” o presidente da Amrop mostra-se muito satisfeito com o fato de a Amrop ser número um no recrutamento de executivos em Portugal. “isto deve-se à sua cultura empreendedora”, conclui.

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