CONTRATAR COM VERDADE

26.05.11

A cunha já não é lei no recrutamento em Portugal. Estudo conclui que organizações lusas recorrem a metodologias mais sofisticadas para encontrar os melhores executivos.

 
A pergunta é costumeira em todas as entrevistas que lhe fazem: “Em Portugal, ainda existem muitas interferências das relações sociais nos recrutamentos?” A resposta sai-lhe sempre com decoro, por muito que a considere “desagradável”: “Cada vez menos. Numa altura em que a gestão está mais profissionalizada, sobra mais espaço para as famigeradas “cunhas”. Para ter como provar as suas palavras, Maria da Glória Ribeiro, responsável pela Amrop, consultora de executive research, inquiriu 128 CEO de grandes empresas portuguesas sobre as formas de recrutamento a que recorrem.

As conclusões sossegaram-na. Afinal, não erra quando é indagada por algum jornalista. “ A maioria (51%) afirma utilizar a metodologia do executive research (recrutamento especializado) como primeira ferramenta, a que se segue o network (29%). No entanto, 87% dos inquiridos, no total, admitem servir-se desta prática de consultoria”, aponta a especialista.

Acrescenta: “De forma mais ou menos sofisticada, a maioria das organizações revelou possuir um modelo de gestão de recursos humanos, uma vez que os desafios colocados pelo atual contexto económico e a necessidade de uma maior competitividade a nível local e global, leva que os CEO e administradores se preocupem, cada vez mais, com o processo de alinhamento dos seus colaboradores com o negócio da organização.”

DIVERSIDADE É PONTO DE PARTIDA

Os Resultados do estudo confirmam as perceções de Maria da Glória Ribeiro, tiradas “a olho” no seu dia a dia: aquando da constituição de uma equipa, a maioria do executivo privilegia candidatos com uma formação académica de base diversificada (35%), a que se segue uma multiculturalidade (30) e a formação complementar (26%). “Finalmente, os gestores portugueses estão a compreender que, quanto mais diversificada forem as equipas, mais plurais e, por isso, mais completas, serão”, afiança.

Na hora da contratação, as empresas portuguesas preferem quem tenha as soft skills mais desenvolvidas, preferindo características como o potencial de liderança (18%), a inteligência emocional (17%) e a capacidade de inovação (12%). Outros temas como a flexibilidade, a resiliência, a preparação técnica e a capacidade analítica também fazem a diferença.

“Às vezes, aparecem pessoas com uma preparação técnica muito acima da média, mas que falham no que toca à forma como se relacionam com os outros. Essa capacidade é fulcral para alguém com aspirações profissionais de chefia, já que, a partir de uma determinada fase da carreira, são essas características que permitem gerir equipas e desenvolver os negócios de forma mais eficaz e eficiente.”

E porque tão importante quanto recrutar é reter o melhor candidato, a Amrop empenhou-se em perceber como é que as empresas portuguesas  fomentam  a estabilidade das suas equipas. “a progressão na carreira, o empowerment dos colaboradores e o sistema de compensação foram as ferramentas enfatizadas pelos inquiridos, evitando que as pessoas se desmotivem e saiam em busca de desafios mais atrativos”, reforça.

O estudo inclui também que os CEO portugueses estão mais conscientes da importância do ser ativo humano face aos concorrentes diretos. Todavia, a análise da concorrência ao nível dos recursos humanos que tem já grande expressão noutros países, continua a ser uma ferramenta de gestão pouco utilizada em Portugal. Apenas 24% dos inquiridos admitiram recorrer a esta técnica.

EXAME